sábado, setembro 19

Eleições na Suécia.


A Suécia acaba de mostrar à Europa aquilo que durante anos foi tratado como uma fantasia conspirativa: quando um Estado importa população estrangeira em massa, altera também quem tem poder para decidir o futuro da nação.

O bloco de centro-esquerda venceu por uma margem de cerca de 42.500 votos e ficou com 176 deputados contra 173 do bloco da direita. Nos 786 distritos em que pelo menos metade da população nasceu no estrangeiro ou tem ambos os pais nascidos no estrangeiro, o centro-esquerda conseguiu mais 73.000 votos do que em 2022. Entre os eleitores de origem não europeia, aproximadamente 67% votaram na centro-esquerda. Em Rinkeby, uma zona de forte população imigrante, esse valor chegou a cerca de 94%.

Não é preciso inventar nada. Os números chegam.

No papel, os naturalizados são cidadãos suecos. Politicamente, porém, permanece uma questão que durante décadas as elites europeias procuraram expulsar do debate: quando um Estado concede nacionalidade em grande escala, não está apenas a entregar um passaporte. Está a entregar uma parcela do poder soberano a estrangeiros, permitindo que estes decidam o futuro de um país que não é o deles.

E depois aparece a segunda parte do mecanismo usado pela esquerda. Os socialistas foram a votos prometendo aumentar prestações e benefícios pagos pelo Estado: duplicação do abono de família antes do Natal e das férias de Verão, redução dos custos dentários, e outras medidas destinadas a colocar, segundo a própria linguagem da campanha, “mais dinheiro na carteira”. O próprio partido chegou a apresentar a escolha de maneira cristalina: quem quisesse o aumento do abono deveria votar Social-Democrata.

Numa palavra, corrupção. Prometeram desviar dinheiro dos bolsos suecos para bolsos estrangeiros. Os estrangeiros estavam interessados em vender votos, e os socialistas, especialistas em corrupção como são, não hesitaram em comprar.

É que as prestações prometidas eram formalmente universais. Não eram cheques reservados a imigrantes. Mas o facto político permanece: numas eleições decididas por uma unha negra, o eleitorado de origem não europeia, que vive de subsidios, votou esmagadoramente no partido que defendia maior redistribuição, enquanto os próprios partidos faziam campanhas dirigidas a comunidades imigrantes e em diferentes línguas. Chegaram a fazer campanha em árabe. Sim, não têm mesmo vergonha na cara.

Chamem-lhe clientelismo, compra política de lealdades ou corrupção do princípio democrático. O problema é o mesmo: o nosso dinheiro deixa de ser apenas instrumento de política social e passa também a funcionar como instrumento de compra de votos.

E é aqui que a questão da soberania se torna impossível de esconder.

Durante anos disseram aos europeus que imigração e naturalização eram apenas questões económicas, humanitárias ou administrativas. Não eram. Nunca foram. São também questões de poder.

Quem recebe a nacionalidade recebe um voto. Quem recebe um voto participa na escolha das leis. Quem escolhe as leis escolhe a política migratória e quanto dinheiro pode roubar aos nativos através do Estado. E quem escolhe a política migratória pode decidir quantos novos cidadãos serão criados no ciclo seguinte.

É um mecanismo cumulativo, uma pescadinha de rabo na boca:

Imigração - Naturalização - Voto - Roubo - Mais imigração - Mais naturalizações - Mais votos - Mais Roubo

A verdade é que não foi necessário o terceiro mundo conquistar militarmente a Suécia. Ninguém atravessou a fronteira com tanques. Ocuparam Estocolmo e, simplesmente, ninguém resistiu. Foi tudo legal.

Foi o próprio Estado que decidiu mudar a identidade das pessoas que mandam no Estado. Esta é talvez a parte mais perturbadora de todas: uma nação pode perder progressivamente o controlo sobre o seu próprio futuro sem que seja disparado um único tiro, simplesmente porque as suas elites decidiram que a nacionalidade, a fronteira e a soberania são conceitos antiquados que podem ser distribuídos administrativamente.

Quando populações chegadas nas últimas décadas adquirem dimensão eleitoral suficiente para decidir entre dois blocos políticos, a demografia deixou de ser apenas demografia. Passou a ser poder. E a Suécia acaba de mostrar à Europa exactamente quanto esse poder pode valer numa urna. E eis que assim se inaugura a época dos governos ilegítimos impostos por interesses estrangeiros na Europa. Quantos mais governos virão? Como reagirão os Suecos perante a ocupação estrangeira? Ainda podemos dizer que se vive em democracia, quando quem decide as eleições são estrangeiros a quem se promete dar dinheiro roubado aos nativos em troca de votos?

Artigo de João Pereira dos Santos, Advogado, publicado na sua página no Facebook. 

quarta-feira, setembro 16

«Ameaça de extrema-direita é muito maior» diz Luís Neves.


O responsável pela pasta da Administração Interna também alerta que «a extrema-esquerda radical está em ascensão na Europa e já realizou atos».

«A ameaça de extrema-direita é muito maior» em comparação com os grupos radicais de esquerda, afirmou esta quarta-feira, no Parlamento, o ministro da Administração Interna.

Luís Neves disse aos deputados que o terrorismo de cariz islamista é o que mais preocupa, mas não deixou de referir o terrorismo de extrema-direita.

«A ameaça de extrema-direita é muito maior. Têm armas, matam, ameaçam, coagem», referiu o governante, que apresentou os dados do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI 2025).

O responsável pela pasta da Administração Interna também alerta que «a extrema-esquerda radical está em ascensão na Europa e já realizou atos».

«Fui o primeiro a condenar o arremesso de um cocktail molotov contra a Marcha pela Vida e fui o primeiro a dizer que podíamos estar perante um ato terrorista», salientou.

O ministro da Administração Interna assume, também, um aumento da criminalidade associada à imigração ilegal.

Luís Neves anunciou o lançamento de um inquérito nacional de vitimização e admitiu que o RASI 2026 já irá incluir a informação relativa às nacionalidades de estrangeiros.

Neste debate sobre o RASI 2025, o governante admitiu que o tráfico de droga constitui a primeira ameaça à segurança interna de Portugal, com o país a ser utilizado como porta de entrada de cocaína para a Europa.

«A novidade é o grande aumento de produção de cocaína que os narcotraficantes querem escoar porque o lucro na Europa é muito maior», referiu Luís Neves, para quem os crimes ligados à droga têm um «impacto social tremendo na vida das comunidades», porque alimentam furtos, roubos, ameaças e agressões e outros crimes associados ao consumo e à disputa de pontos de venda.

Fonte: Renascença – 16.09.2026.


Luís Neves admite incluir nacionalidades nos crimes do RASI.


O Parlamento debateu o Relatório de Segurança Interna (RASI) de 2025, tendo o ministro Luís Neves revelado que o tráfico de droga é «primeira ameaça» à segurança interna em Portugal.

Luís Neves, o ministro da Administração Interna, disse esta tarde no Parlamento que o aumento da criminalidade geral representa mais crimes, mas também mais fiscalização e mais ação do Estado.

A agenda parlamentar incluiu esta tarde o debate do RASI (Relatório de Segurança Interna) de 2025.

Luís Neves admitiu que o próximo relatório sobre a segurança interna do país possa vir a revelar a nacionalidade de quem comete crimes.

«Poderemos ter aqui a possibilidade de ter aqui informação relativamente às nacionalidades e origem das pessoas», anunciou o ministro da administração Interna.

Contra acusações de diretivas discriminatórias, Luís Neves fez notar: «O ano passado enquanto dirigente apresentei uma proposta nesse sentido, não é discriminatório. É importante podermos saber quem se encontra em Portugal».

O ministro revelou que o tráfico de droga é «primeira ameaça» à segurança interna em Portugal.

O relatório anual relativo a 2025 revela ainda um aumento da criminalidade geral participada, mas uma diminuição da criminalidade grave e violenta.

Fonte: RTP - 16.09.2026.

Ministro da Administração Interna atribui aumento da criminalidade a maior fiscalização.


No debate desta quarta-feira sobre o Relatório Anual de Segurança Interna, Luís Neves regressou ao Parlamento para falar de segurança interna após meses de controvérsia e o Chega não poupou o ministro.

O ministro da Administração Interna diz que o aumento da criminalidade, incluindo a que está relacionada com a imigração, deve-se a um aumento da fiscalização das autoridades. No debate sobre o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), só o Chega fez referência às polémicas que envolvem Luís Neves.

Depois de meses debaixo de fogo, Luís Neves regressa ao Parlamento para falar de segurança interna.

Já o debate sobre o RASI ia a meio quando chegou André Ventura. E, desta vez, deixou que as críticas ao ministro fossem feitas por outros.

Os apupos vindos da bancada mais à direita voltaram quando o ministro se referiu ao terrorismo de extrema-direita.

O ministro da Administração Interna disse ainda que o tráfico de droga é a primeira ameaça à segurança interna no país e que no próximo relatório já serão incluídas as nacionalidades sobre quem comete crimes.

Fonte: SIC-Notícias - 16.09.2026
  

Os média não são de esquerda. São outra coisa.


A crítica ideológica ao jornalismo esconde uma estrutura mais interessante, e mais difícil de combater: uma classe profissional homogénea, dependente de um punhado de agências internacionais, que confunde o seu próprio horizonte cultural com o do mundo.

Os temas repetidos à exaustão sobre Gaza Irão, Donald Trump, André Ventura, Bolsonaro, a figura de Luiz Inácio Lula da Silva, Cuba, sugerem uma questão persistente: os media são de esquerda? Há uma efetiva pluralidade de enquadramentos apesar de uma predominância sistemática de certos pressupostos que orientam o que é notícia, a ordem e o sentido que lhe são atribuídos?

Há duas respostas fáceis, e ambas erradas. A primeira, popular à direita, diz que os media são de esquerda. A segunda, popular à esquerda, diz que é a direita, ou o sistema, que os controla. Nenhuma resiste a um escrutínio sério: ambas pressupõem uma intenção e um comando central que a investigação sobre os media raramente encontra. Edward Herman e Noam Chomsky descreviam um enviesamento que não depende de ordens explícitas, mas de estruturas de propriedade, financiamento publicitário e dependência de fontes oficiais; Pierre Bourdieu mostrou como o campo jornalístico gera um habitus profissional partilhado que produz uniformidade sem necessidade de coordenação. É esta linhagem teórica que melhor explica o que se observa: uma matriz dominante que não corresponde à esquerda clássica, nem à direita tradicional, mas a uma combinação particular de posições culturais, económicas e geopolíticas, uma espécie de ideologia hegemónica ocidental, progressista nos costumes e liberal na economia.

Comecemos pelos comentadores, porque em Portugal os espaços de comentário são particularmente extensos, e neles a convergência é mais visível do que em qualquer outro lugar. A maioria situa-se dentro dos limites do sistema político vigente; posições exteriores a esse espaço, à direita ou à esquerda, são tratadas como curiosidades ou como ameaças. Os mesmos nomes circulam entre televisão, rádio e imprensa escrita, produzindo uma notável homogeneidade de perspetivas (uma espécie até de coro em que um toma sempre a posição y e outro a z, para se pensar que há dissenso, mas que são apenas divergências irrelevantes), reforçada pela dependência de fontes comuns e de agências internacionais.

Esta dependência de agências não é uma impressão de café: é uma característica estrutural do jornalismo português, documentada há quase quarenta anos por estudos sobre a própria profissão, do trabalho pioneiro de José Manuel Paquete de Oliveira ao inquérito mais recente do OberCom em parceria com o CIES-IUL e o Sindicato dos Jornalistas. A conclusão repete-se: a esmagadora maioria das redações portuguesas utiliza diariamente despachos de agências como a Lusa, a Reuters ou a AFP como matéria-prima do noticiário. O fenómeno não é português: Oliver Boyd-Barrett descrevia como um número reduzido de fornecedores mundiais concentra a definição do que é notícia e a terminologia com que circula. Na prática, a seleção do que é ou não notícia a nível global é decidida muito antes de qualquer redação em Lisboa ter oportunidade de a enquadrar de forma própria, um efeito de funil que o próprio OberCom monitoriza.

O jornalismo tradicional opera, assim, em cascata. A Associated Press e a Reuters definem a terminologia e a hierarquia do que é relevante a nível global; a Agence France Presse acrescenta o seu humanismo liberal europeu como enquadramento de fundo; e faróis editoriais como o New York Times ou o The Economist validam, respetivamente, a agenda das políticas de identidade e a ortodoxia económica. O que chega a Lisboa já passou por vários filtros sucessivos e chega investido de uma aura de neutralidade que é o produto mais acabado desta cadeia. A dependência não é apenas ideológica, é também económica: produzir informação internacional própria é caro, e recorrer a despachos de agência é mais eficiente.

A esta dependência de fontes soma-se uma segunda camada, menos falada mas igualmente decisiva: a homogeneidade sociológica da própria classe jornalística. Os sucessivos retratos sociológicos dos jornalistas portugueses desenham sempre o mesmo perfil: uma classe profissional maioritariamente detentora de ensino superior, muitas vezes em Comunicação, Humanidades ou Ciências Sociais, e fortemente concentrada nos grandes centros urbanos, sobretudo em Lisboa. O padrão não é exclusivamente português: os inquéritos coordenados por David Weaver e Lars Willnat traçam um perfil semelhante em dezenas de países, jornalistas urbanos, universitários e sistematicamente mais liberais nos costumes do que a população em geral. Este perfil não determina opiniões individuais, mas ajuda a explicar um alinhamento natural com valores urbanos e progressistas, e cria um distanciamento real face a uma parte considerável do país.

A análise por áreas temáticas permite maior precisão, e é aqui que a tese ganha nuance. Nos temas culturais, identidade de género, imigração, direitos LGBT, políticas raciais, os media de referência adotam com frequência as categorias e os pressupostos dominantes no meio académico ocidental, apresentando-os como progresso social quase por definição. É neste domínio que a perceção de um viés à esquerda encontra o seu suporte empírico mais sólido, e não apenas em Portugal: o estudo quantitativo de Tim Groseclose e Jeffrey Milyo sobre os media norte-americanos, apesar de contestado nos seus métodos, aponta na mesma direção.

Na esfera económica, porém, o padrão inverte-se quase por completo. A cobertura tende a tratar como legítimas e sensatas, as posições favoráveis ao liberalismo económico global, ao livre comércio e à estabilidade orçamental. O Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional são frequentemente apresentados como fontes técnicas e neutras, não como atores com posições próprias. Propostas de redistribuição estrutural mais ambiciosas são tratadas como de difícil execução ou associadas a riscos elevados; os movimentos sindicais têm visibilidade limitada; e a crítica ao próprio modelo de desenvolvimento capitalista raramente ocupa o centro do debate. É precisamente aqui que os filtros de propriedade e publicidade descritos por Herman e Chomsky se tornam mais visíveis: os grupos de media dependem de anunciantes e de estruturas acionistas com interesse na estabilidade do sistema económico vigente, o que inclina a cobertura para a ortodoxia.

Na geopolítica, o alinhamento com o quadro estratégico das democracias ocidentais é igualmente consistente. A NATO e a ONU são tratadas como referências de legitimidade quase incontestável, e no plano internacional aplica-se com frequência um duplo critério na avaliação de comportamentos e políticas, consoante se trate de aliados ou de antagonistas do espaço euro-atlântico. Daniel Hallin descreveu este fenómeno através da distinção entre uma esfera de consenso, uma esfera de controvérsia legítima e uma esfera de desvio, onde são relegadas as posições tratadas como ilegítimas. O apoio à NATO situa-se claramente na primeira esfera; posições que o contestam são remetidas diretamente para a terceira.

Este conjunto de padrões não configura uma ideologia coerente no sentido clássico do termo. É antes uma combinação particular, progressismo cultural, moderação ou ortodoxia económica e alinhamento geopolítico com o espaço euro-atlântico, que corresponde ao retrato sociológico da própria profissão jornalística. Chamar-lhe media de esquerda é uma simplificação grosseira. Daniel Hallin e Paolo Mancini situam Portugal no modelo mediterrânico, ou pluralista polarizado, um jornalismo historicamente próximo do poder político e menos dependente de normas profissionais autónomas, o que ajuda a explicar a forte convergência entre comentadores e redações portuguesas. A convergência é, portanto, sociológica e cultural antes de ser partidária: resulta de processos de formação e recrutamento dentro da própria classe, não de coordenação centralizada ou manipulação deliberada. Ainda assim, uma parte desta configuração deve-se também a uma certa captura institucional por parte de um establishment liberal-progressista, presente em universidades, organismos internacionais e centros de decisão cultural, que naturalizou os seus próprios pressupostos como se fossem simplesmente neutros. O critério de análise correto não é ideológico, é metodológico: clareza conceptual, comparação entre casos e aplicação consistente dos mesmos padrões a todos os lados. Existe, portanto, um conjunto de pressupostos dominantes, difuso, não coordenado e variável consoante o país, mas real e mensurável, e bem mais difícil de combater do que a acusação simples de que os media são de esquerda.

O caso português ilustra bem esta estrutura, incluindo as suas assimetrias mais desconfortáveis. Determinados temas culturais recebem atenção significativa e continuada, e o adversário está claramente identificado: o Chega, alvo de um forte consenso crítico em praticamente todo o sistema mediático, e relegado, na terminologia de Hallin, para a esfera de desvio. O Chega é, ainda assim, um caso peculiar, porque a apresentação sistemática do partido como algo de inaceitável parece ter contribuído, paradoxalmente, para a avalancha de popularidade do próprio partido e do seu líder, um efeito que a análise mediática portuguesa não pode ignorar, mesmo que a origem última desse consenso crítico esteja também ligada a posições e declarações do próprio partido.

Em contrapartida, questões económicas estruturais como o modelo de turismo, a banca, a financeirização do imobiliário, a configuração do mercado de arrendamento, o trânsito entre política e setor privado, os cargos de familiares de políticos, os favores, as cunhas, os facilitismos e certos negócios pouco transparentes são abordadas de forma episódica, muitas vezes apenas quando um escândalo se torna impossível de ignorar. Recebem, por isso, um aprofundamento sistemático muito menor. A diferença pode estar ligada à menor conflitualidade simbólica destes temas, comparada com a carga identitária de outros, ou à proximidade de interesses económicos concretos, alguns dos quais têm presença direta no próprio setor mediático, precisamente o mecanismo de propriedade que Herman e Chomsky colocavam no centro do seu modelo.

O problema democrático decorre deste mecanismo, não de uma leitura moral sobre boas ou más intenções. Se uma parte do espectro político e cultural é sistematicamente remetida para a esfera de desvio, em vez de ser discutida na esfera de controvérsia legítima, vastas parcelas da população deixam de se rever nas narrativas dominantes. A literatura sobre a relação entre media e populismo, de Gianpietro Mazzoleni a Cas Mudde, documenta este mecanismo: quando o espaço mediático trata como inaceitável o que uma fração significativa do eleitorado considera razoável, gera-se uma alienação política, a perceção de que ninguém fala por nós, que alimenta o ceticismo democrático e abre caminho a alternativas de cariz democrático duvidoso. Um espectro mediático que normaliza acriticamente um único modelo cultural, económico e geopolítico reduz a democracia a uma escolha de tonalidades cosméticas, esvaziando o debate de verdadeiros rumos estruturais. Daí a urgência de diversificar sociologicamente as redações, reduzir a dependência de agências externas e fomentar uma literacia mediática crítica, não como correção ideológica, mas como condição para que o espaço público volte a representar a verdadeira pluralidade.

João Maurício Brás - Nascer do Sol de 16.09.2026.


sábado, agosto 29

Câmara de Birmingham quer travar bandeiras britânicas na rua. Infratores arriscam dois anos de prisão.


A autarquia britânica avançou para o Supremo Tribunal com uma providência cautelar contra um grupo anti-imigração. Quem desrespeitar a ordem arrisca penas de prisão e multas ilimitadas.

A Câmara Municipal de Birmingham avançou com uma ação judicial no Supremo Tribunal para proibir a colocação não autorizada de bandeiras do Reino Unido e de Inglaterra em postes de iluminação e outras infraestruturas da cidade, após várias ações do grupo anti-imigração Raise the Colours que levaram a colocação de milhares de bandeiras um pouco por todo o país. Caso a providência cautelar seja deferida, quem violar a interdição arrisca até dois anos de prisão e o pagamento de multas ilimitadas.

A proliferação de milhares de bandeiras começou no verão passado em Birmingham e alastrou-se rapidamente a outras zonas do país. Embora a organização se apresente como um movimento cívico de «orgulho e união patriótica», moradores de vários bairros, como Stirchley e Moseley, e associações locais acusam o grupo de instrumentalizar os símbolos nacionais para disseminar retórica de extrema-direita e intimidar minorias étnicas, numa cidade onde mais de um terço da população é muçulmana.

A autarquia vinha a ser pressionada há vários meses pela população local, que acusava as autoridades de inação face aos confrontos gerados em redor da retirada das bandeiras. Numa dessas disputas, em maio, um homem ficou gravemente ferido após um atropelamento com fuga numa zona onde os residentes tentavam remover os símbolos.

«O município está a adotar uma abordagem legal, proporcional e baseada em factos relativamente a elementos não autorizados nas vias públicas», sublinhou Jane Baston, vereadora responsável pela pasta da Igualdade, Comunidades e Justiça Social.

«A nossa prioridade passa por proteger a segurança pública, o bem-estar dos funcionários e prestadores de serviços, a coesão comunitária e a utilização responsável dos fundos públicos», acrescenta.

O município fundamentou a ação jurídica no aumento de episódios de assédio, ameaças e obstrução dirigidos aos operacionais encarregados da limpeza urbana.

A estratégia segue o precedente estabelecido pelo Conselho de Oxfordshire, que obteve no mês passado uma injunção semelhante do Supremo Tribunal após os seus funcionários terem enfrentado um ambiente de hostilidade nas ruas.

Numa publicação divulgada na rede social Instagram, o movimento Raise the Colours negou qualquer intenção de fragmentar as comunidades locais e afirmou não ter tido acesso prévio aos documentos judiciais entregues pela autarquia.

No seu portal oficial, o grupo declara ainda que «não apoia comportamentos de justiça popular nem atividades não autorizadas», assegurando que eventuais iniciativas de ativismo físico ou deslocações internacionais decorrem da responsabilidade estritamente individual dos seus intervenientes.

Fonte: CNN Portugal.

Coliseu de Roma torna-se «zona vermelha» após onda de criminalidade e confrontos com polícia.


A medida, decretada pela prefeitura a pedido da polícia, abrange ainda os Fóruns Imperiais e o Monte Ópio e vigorará durante quatro meses.

A área em redor do Coliseu de Roma foi designada pelas autoridades italianas como «zona vermelha» por razões de segurança, na sequência de uma onda de criminalidade de rua registada recentemente nas proximidades do famoso monumento da capital italiana.

Na sequência de vários incidentes violentos e de algumas operações policiais extraordinárias nas últimas semanas, a zona do Coliseu, dos Fóruns Imperiais e do Monte Ópio tornou-se oficialmente uma «zona vermelha» na capital, de acordo com uma portaria da prefeitura, publicada a pedido do comando da polícia de Roma.

A decisão baseia-se na necessidade de reforçar a segurança em determinadas zonas caracterizadas pela degradação e pela criminalidade, e a medida terá uma duração de quatro meses, prolongando-se assim até à época natalícia.

Na portaria, o autarca de Roma, Lamberto Giannini, salienta a persistência de zonas afetadas por crimes predatórios e tráfico de droga.

Estes atos são cometidos «principalmente por grupos de jovens de origem não comunitária», afirma o decreto, citando a inauguração da estação de metro «Roma Colosseo», que liga o centro histórico à zona oriental de Roma, como um fator que contribuiu para estes incidentes.

O pico destes incidentes, aponta o autarca, registou-se a 1 de julho, quando, durante uma festa não autorizada na praça do Coliseu, «um grupo de cerca de 50 indivíduos de países não pertencentes à UE opôs resistência» e cercou vários agentes da polícia local, ferindo ligeiramente dois deles.

Ao mesmo tempo, foram confirmadas e alargadas as zonas vermelhas de Esquilino e San Lorenzo, nas imediações da estação de Termini, «onde os protestos de rua continuam a exigir a máxima atenção no que diz respeito à segurança e ao decoro», indicaram as autoridades.

Fonte: Observador.

quarta-feira, agosto 26

Emergência nacional na Bélgica devido a onda de tiroteios em Bruxelas.


O ministro do Interior belga, Bernard Quintin, declarou esta quarta-feira que a Bélgica se encontra «numa situação de emergência nacional» devido à mais recente onda de tiroteios registada na capital, Bruxelas.

O ministro do Interior anunciou o reforço da presença policial na cidade e uma série de outras medidas para reforçar o combate à violência ligada ao tráfico de droga e ao crime organizado, depois de seis tiroteios em quatro dias em Bruxelas e 65 desde o início deste ano.

«Após a nova série de tiroteios em Bruxelas, propus várias medidas concretas para reforçar o combate à violência relacionada com o tráfico de droga e o crime organizado. Estamos numa situação de emergência nacional. O combate ao crime organizado deve ser uma prioridade absoluta para todos os serviços e todos os níveis de poder», escreveu Quintin numa mensagem publicada nas redes sociais.

Entre as medidas anunciadas pelo ministro, noticiadas pela estação televisiva RTL, estão o destacamento de mais um pelotão de infantaria na capital, o reforço das unidades especiais da Polícia e da Polícia Judiciária Federal de Bruxelas e a continuação das operações da Ação Policial Abrangente.

«Para garantir a segurança dos nossos cidadãos, é necessário um esforço adicional. Se não agirmos agora de forma coordenada e firme, continuaremos a atuar ‘a posteriori’. Por isso, estamos a reforçar significativamente a presença federal no terreno», sublinhou o responsável.

A região de Bruxelas atravessa um novo pico de violência, com seis tiroteios registados em quatro dias nos bairros de Anderlecht, Saint-Gilles e Molenbeek, elevando para 65 o número total de tiroteios na região desde o início do ano, o mesmo número registado na totalidade do ano passado.

Numa reunião realizada na terça-feira com Quintin, os autarcas dos bairros afetados denunciaram a falta de intervenção federal e exigiram ao ministro uma «abordagem federal», argumentando que o aumento da criminalidade na capital é «um problema nacional», segundo a estação local BX1.

Consideraram também que o reforço da Polícia Federal «é insuficiente» e sondaram a possibilidade de pedirem eles mesmos a intervenção de agentes federais recorrendo ao artigo 43.º da lei sobre a função policial, prevista para casos de ameaça grave e iminente à ordem pública, quando os recursos locais se revelam insuficientes.

O ministro belga defendeu a sua gestão da situação e negou que Bruxelas tenha menos polícias que outras cidades como Antuérpia, atribuindo a situação atual a «entre 20 e 25 anos de indecisão» herdada dos anteriores governos em matéria de segurança na capital.

Fonte: 24noticias.sapo.pt

segunda-feira, agosto 10

Itália e Dinamarca criticam descontrolo da imigração e defendem mais deportações.


As primeiras-ministras de Itália e da Dinamarca criticaram a «imigração descontrolada para a Europa». Afirmam que ninguém pode avaliar os impactos negativos da imigração ilegal.

As primeiras-ministras de Itália, Giorgia Meloni, e da Dinamarca, Mette Frederiksen, criticaram esta segunda-feira a «imigração descontrolada para a Europa», relacionando-a com um aumento da criminalidade e da violência sexual, defendendo ainda o aumento do número de deportações.

«Não aceitamos a imigração descontrolada para a Europa», afirmaram num comunicado conjunto divulgado esta segunda-feira, sublinhando que apesar das suas diferenças ideológicas, têm promovido uma «política de imigração rigorosa» nos respetivos países, assim como ao nível europeu.

«Ninguém pode negar os impactos negativos da imigração ilegal nas nossas sociedades: os índices de criminalidade aumentam, a pressão sobre os serviços públicos cresce e a confiança dos cidadãos é corroída», declararam.

As duas chefes de Governo disseram que é «particularmente grave quando os imigrantes ilegais, privados do direito de permanecer nos nossos países, cometem crimes violentos, traficam drogas ou se tornam responsáveis por violência sexual», acrescentando que os cidadãos esperam «ações concretas».

Entre as medidas propostas, destaca-se o aumento das deportações. Para tal, defenderam a criação de mais centros de repatriamento em países terceiros, assim como outras «soluções inovadoras fora da Europa».

Contudo, afirmaram que «isso não é o suficiente» e também se concentraram nos «milhões de estrangeiros que vivem legalmente» na Europa, acusando-os de terem interesse em impor estilos de vida muito distantes dos «valores comuns» partilhados por «milhões de europeus».

«Temos orgulho na herança cultural cristã da Europa e queremos protegê-la. Esperamos que aqueles que vêm para os nossos países e escolhem fazer da Europa a sua casa respeitem os nossos valores e não tentem impor-nos estilos de vida que não partilhamos», alertaram.

«Acreditamos que este é o caminho certo para proteger a Europa e os nossos valores comuns. E acreditamos que milhões de europeus partilham desta convicção», afirmaram Meloni e Frederiksen, que recentemente lideraram as críticas às políticas migratórias do Governo espanhol na sequência da crise em Ceuta.

Cerca de 72.000 pessoas entraram na cidade autónoma espanhola de Ceuta, situada no norte de África, em 24 horas na semana passada e 70.000 já voltaram a Marrocos, segundo dados das autoridades de Espanha.

Pelo menos 82 pessoas morreram a tentar chegar a Ceuta a nado.

Ceuta, um pequeno território de 80.000 habitantes que está localizado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.

Fonte: Observador.

terça-feira, maio 26

«Portugal é um país muito seguro»: Luís Neves critica quem quer instalar teoria do caos sobre a segurança em Portugal.


«Quem não se lembra do que era a criminalidade há 20 anos, há 15, há 10 anos? Hoje as coisas são diferentes para melhor», assegurou o ministro da Administração Interna.

O ministro da Administração Interna criticou «quem quer instalar a teoria do caos» sobre a segurança em Portugal, defendendo que o país continua a ser «muito seguro» graças ao trabalho das forças policiais.

«Há alguns que querem instalar a teoria do caos. Tudo é mau. Tudo é terrível. Só criminosos. Os imigrantes são os bandidos. O certo é que Portugal é um país muito seguro», afirmou Luís Neves, durante uma cerimónia de assinatura de protocolos na área da segurança no concelho de Cascais.

O governante considerou que a perceção de insegurança não corresponde à realidade e sublinhou que o país «mudou para melhor» nas últimas décadas em matéria de criminalidade.

«Quem não se lembra do que era a criminalidade há 20 anos, há 15, há 10 anos? Hoje as coisas são diferentes para melhor», assegurou.

Luís Neves defendeu ainda melhores condições para polícias e militares da GNR, lamentando o estado de degradação de algumas instalações.

«Ninguém cria brilho e coesão se tiver instalações onde chove, onde há humidade, onde está frio, onde está calor, onde cheira mal», afirmou, garantindo que o Governo pretende melhorar as condições das forças de segurança, embora reconhecendo que o processo «não se vai resolver nem num ano nem dois».

O ministro da Administração Interna esteve esta tarde no concelho de Cascais, distrito de Lisboa, com o objetivo de conhecer os projetos e o investimento que a autarquia tem previsto para o município.

A visita terminou com uma cerimónia nos Paços do Concelho de Cascais, durante a qual foram assinados seis protocolos de cooperação e memorandos de entendimento, no âmbito da Segurança e Socorro.

Em causa estão protocolos no âmbito da vigilância aérea, de cooperação com o Centro Europeu de Riscos Urbanos, com a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, com os corpos de Bombeiros e com a Associação Humanitária de Segurança e Salvamento Aquático.

Fonte: CNN Portugal.

terça-feira, maio 19

Portugal tem duração média da pena de prisão mais longa da Europa.


A pena de prisão média em Portugal é de 31,4 meses, a mais longa entre os países europeus, segundo dados do Conselho da Europa divulgados esta terça-feira num relatório de análise à população prisional em 2024.

O valor português compara com uma média de 9,7 meses de encarceramento na Europa, segundo os dados, que mostram ainda que o tempo de detenção médio para reclusos que venham a ser posteriormente condenados é de 57 dias, mais do dobro da média europeia de 21 dias.

Segundo o relatório, a 31 de janeiro de 2025 havia em Portugal 367 reclusos a cumprir penas inferiores a um ano de prisão, mas dos 9645 presos já a cumprir pena após condenação, 3741 cumpriam penas entre cinco e 10 anos de prisão; 2003 entre três e cinco anos de prisão; 1373 entre um ano e três anos.

Superam os dois milhares os condenados às penas de prisão mais longas.

Na mesma data, 1423 reclusos cumpriam penas entre 10 e 20 anos de prisão e também 1423 cumpriam uma pena superior a 20 anos de prisão.

O relatório revela ainda que o custo médio por recluso em 2024 foi de 61,23 euros por dia, contra uma média europeia de cerca de 150 euros diários e que a estimativa de gastos do Estado com a população prisional em 2024 foi superior a 280,5 milhões de euros.

Dados de 31 de janeiro de 2025 indicam que Portugal tinha nessa data 12.360 reclusos no sistema prisional, numa proporção de 115 presos por cada 100 mil habitantes do país, tendo Portugal invertido uma tendência de quebra registada entre 2015 e 2021, e registado em 2025 face ao ano anterior um aumento de 0,3% de reclusos face ao total da população do país.

Aumento de 850 presos

Dos 12.360 reclusos nas prisões portuguesas, 2715 ainda não tinham sido condenados, havendo 2142 que não tinham sido julgados e 573 a aguardar decisões de recursos. Do total de reclusos, 9645 (78%) eram presos condenados.

No sistema prisional estavam, ainda em 2024, um total de 200 detidos em centros juvenis e 165 requerentes de asilo detidos por razões administrativas, segundo o relatório do Conselho da Europa.

Os números estão, no entanto, já desatualizados, uma vez que em fevereiro deste ano o diretor-geral de Reinserção e Serviços Prisionais, Orlando Carvalho, adiantou em entrevista à Lusa que havia nessa altura 13.302 reclusos nos 49 estabelecimentos prisionais do país, um aumento de 850 presos entre janeiro de 2025 e fevereiro deste ano.

O responsável pelo sistema prisional considerou os valores preocupantes face à tendência crescente da população prisional e à sobrelotação dos estabelecimentos, alertando que o aumento de 630 vagas nas prisões já anunciado pelo Ministério da Justiça pode revelar-se insuficiente.

A 31 de janeiro de 2025, revela o relatório, a capacidade do sistema prisional era de 24.537 lugares e a densidade de ocupação era de 96,3 para cada 100 lugares disponíveis, próximo da lotação máxima.

Em 2024, as prisões portuguesas registaram 4795 entradas de presos, dos quais 2769 ainda sem condenação.

Já no que diz respeito a saídas do sistema, do total de 4702, a quase totalidade (4628) foram libertações, tendo ainda havido 65 mortes nas cadeias e nove fugas de reclusos, todos de sistemas de reclusão fechados.

Em 2024, cinco reclusos evadiram-se do estabelecimento prisional de alta segurança de Vale de Judeus, acabando todos por ser recapturados.

Ainda segundo os dados do relatório, a 31 de janeiro de 2025, Portugal tinha 6504 funcionários no sistema prisional, dos quais 3872 eram guardas prisionais, num rácio de 3,2 reclusos por cada guarda.

População prisional mais envelhecida

Portugal, a par de Itália, tem a população prisional mais envelhecida da Europa, com uma média de idades de 42 anos, acima dos 37,5 anos na Europa. O Conselho da Europa também revela que a 31 de janeiro de 2025, as prisões portuguesas tinham 524 reclusos com 65 anos ou mais, uma percentagem de 4,2% do total de presos, acima da média europeia de 3,6% para esta faixa etária.

A grande maioria dos 12.340 reclusos adultos tinha entre 26 e 49 anos (8.448 reclusos) e 2584 tinham entre 50 e 64 anos. Entre os 18 e os 25 anos havia 779 reclusos e 20 menores de idade a cumprir pena no sistema prisional.

Mais de 90% dos reclusos eram homens, mas Portugal tinha nessa data 904 mulheres presas, que representam 7,3% do total da população prisional, percentagem acima da média de 5,8% na Europa.

Ainda segundo o relatório, as prisões portuguesas tinham 18 crianças até aos cinco anos a viver com as mães nos estabelecimentos em 2024.

Tráfico de droga, furto e roubo são os crimes com mais expressão entre os condenados a penas de prisão em Portugal, mas havia também 877 condenados por homicídio, 196 por violação e 226 por outros crimes sexuais.

Dos 12.360 reclusos, 10.209 eram cidadãos nacionais e 2151 estrangeiros, dos quais 255 eram cidadãos de Estados-membros da União Europeia, 1299 estavam a cumprir uma condenação e 852 estavam apenas detidos.

Fonte: Jornal de Notícias.

sexta-feira, maio 15

Ministra da Justiça defende «tolerância zero» para casos de mortes nas prisões.


A ministra da Justiça defendeu esta sexta-feira tolerância zero para casos de mortes nas prisões, no dia em que familiares de presos que morreram enquanto cumpriam pena entregaram uma carta a Rita Alarcão Júdice.

«As situações que vitimam ou que possam causar a morte num estabelecimento prisional, que possam ser motivadas por qualquer circunstância que não a saúde ou a própria vida da pessoa, são situações que o Ministério da Justiça acompanha e a Direção-Geral de Reinserção e dos Serviços Prisionais também», disse Rita Alarcão Júdice aos jornalistas.

À margem da conferência sobre o regime de maior acompanhado, que decorre nesta sexta-feira no Centro de Estudos Judiciários, em Lisboa, a responsável pela pasta da Justiça sublinhou que «há tolerância zero para qualquer situação» de morte em contexto prisional causada por fatores que não estão relacionados com saúde.

«Qualquer situação que aconteça dentro de um serviço prisional é imediatamente analisada, todos os mecanismos são iniciados», incluindo a investigação e comunicação ao Ministério Público «sempre que for justificado e necessário», acrescentou.

Sobre as condições das prisões portuguesas, tema que tem vindo a ser discutido nos últimos anos e que já levou à condenação do Estado português pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, Rita Alarcão Júdice admitiu que «o sistema prisional português enfrenta grandes desafios», acrescentando que o ministério que lidera está a trabalhar com o Ministério da Saúde para melhorar o acesso a cuidados de saúde dentro das prisões.

A ministra falou sobre as mortes nas prisões no dia em que familiares de presos que morreram nas prisões portuguesas entregaram uma carta no Ministério da Justiça, exigindo respostas, responsabilização e transparência institucional.

Na carta, a que a Lusa teve acesso, os familiares dos presos que morreram consideram que «as suas mortes não podem continuar a ser tratadas como episódios isolados, arquivamentos com versões oficiais rápidas, relatórios inverosímeis, classificações administrativas e silêncios institucionais» e pediram uma reunião com a ministra da Justiça.

Os familiares pedem esclarecimentos, querem ter acesso à informação relacionada com as mortes e pedem ainda, lê-se na carta entregue hoje, a adoção de procedimentos obrigatórios em casos de mortes em contexto prisional e «a revisão urgente dos procedimentos de saúde, segurança, castigos de isolamento, videovigilância e comunicação com as famílias».

Fonte: SIC-Notícias.

Mães de jovens mortos no Estabelecimento Prisional de Lisboa protestam à porta do ministério da Justiça.


Um grupo de familiares de reclusos que morreram nas prisões reuniu-se esta manhã frente ao Ministério da Justiça. Entregaram uma carta à ministra a pedir respostas.

Foi em 2021, no dia 15 de setembro, que Luísa e Alice receberam a notícia da morte dos filhos no Estabelecimento Prisional de Lisboa. Desde então, vivem à procura de respostas, respostas que garantem nunca ter recebido.

À procura de respostas, mas também de responsabilização, com o objetivo de entregar à ministra da Justiça.

À chegada ao ministério, e ainda antes do início da ação convocada pelo movimento Vida Justa, Rita Alarcão Júdice disse que fazia questão de receber e ouvir estes familiares, e assim o fez.

Apesar de terem conseguido falar com a ministra, prometem continuar na luta para obter respostas.

Fonte: SIC-Notícias.

quarta-feira, maio 13

Tiros dentro do tribunal não travam fuga de suspeito de tentativa de homicídio.


Um suspeito da autoria de uma tentativa de homicídio fugiu do Tribunal de Ponte de Sor, pouco antes de ser sujeito ao primeiro interrogatório judicial, na tarde desta quarta-feira. Os militares da GNR ainda dispararam várias vezes, mas não conseguiram travar a fuga. O foragido continua em paradeiro incerto e o tribunal foi encerrado por razões de segurança.

Segundo descreve o Conselho Superior da Magistratura, o arguido tinha sido detido por um crime de tentativa de homicídio e, nesta quarta-feira, foi levado ao Tribunal de Ponte de Sor para ser interrogado pelo juiz de instrução criminal. Porém, antes do início do interrogatório, foi criada uma «manobra de diversão» que permitiu a fuga do suspeito do edifício.

Ainda no interior do tribunal, mas também no exterior, foram efetuados vários disparos pelos militares da GNR para impedir a fuga. Contudo, e mesmo com a perseguição movida pelos guardas, o suspeito de tentativa de assassinato conseguiu escapar.

As autoridades continuam à procura do suspeito e o Tribunal de Ponte de Sor foi encerrado por questões de segurança.

Tribunais com quebras de segurança

Este não foi o primeiro incidente violento a ter lugar na Comarca de Portalegre, que inclui o Tribunal de Ponte de Sor. Aliás, como acrescenta o Conselho Superior da Magistratura, «nos últimos meses, foram registados vários episódios de distúrbios e agressões associados à presença de grupos rivais em tribunais da comarca, situações que chegaram a exigir intervenção policial».

Essas ocorrências levaram «os órgãos de gestão da comarca» a solicitar «avaliações relativas ao reforço das condições de segurança dos edifícios judiciais, incluindo a eventual instalação de dispositivos de controlo de acessos, como pórticos detetores de metais, sistemas de videovigilância e reforço de vigilância presencial», mas nada terá sido feito.

No passado mês de abril, «a comarca de Portalegre tinha já reportado preocupações relacionadas com as condições de segurança em tribunais sem vigilância permanente». «Os factos hoje [quarta-feira] ocorridos reforçam a necessidade de assegurar condições de segurança adequadas nos tribunais, garantindo a proteção de todos os profissionais e cidadãos que utilizam os edifícios judiciais. O Conselho Superior da Magistratura continuará a acompanhar a situação no âmbito das suas competências».

Fonte: Jornal de Notícias.

terça-feira, maio 12

Montenegro anuncia reforço de 400 agentes da PSP para os comandos metropolitanos de Lisboa e Porto após reunião com autarcas.


Após reunião com os presidentes das câmaras de Lisboa, Carlos Moedas, e do Porto, Pedro Duarte, o primeiro-ministro anunciou esta terça-feira, 12 de maio, um reforço de agentes das forças de segurança para cada uma das áreas metropolitanas.

«O Governo assume perante os senhores presidentes de câmara um reforço de aproximadamente 200 efetivos para os comandos metropolitanos de Lisboa e do Porto, 200 para cada, a ter lugar no decurso ainda deste ano», tendo em conta os processos de formação em curso, um que terminará no final do primeiro semestre e o outro no final do ano, anunciou Luís Montenegro.

Uma medida que, segundo o primeiro-ministro, permite «prosseguir esta política de assumir a segurança como pilar fundamental do bem-estar, da qualidade de vida e também da atratividade e do esforço de desenvolvimento económico dos dois territórios».

«Além deste reforço de novos agentes, estamos a desenvolver com a direção nacional da PSP um plano para a reorganização dos serviços prestados nas esquadras de Lisboa, do Porto e de Setúbal com vista a libertarmos mais 500 polícias para patrulhamento», informou o chefe do Governo.

De acordo com o primeiro-ministro, trata-se de um «objetivo muitas vezes reiterado» e que o Governo quer «concretizar» através da «reorganização dos serviços internos», de modo a «libertar mais agentes para funções policiais, de rua». «Para podermos, também com isso, ter uma maior expressão da presença de polícias nas ruas de Lisboa e do Porto, e neste caso também de Setúbal», afirmou.

Reforço tecnológico

Luís Montenegro anunciou ainda o «reforço nas ações de patrulhamento e policiamento, quer em Lisboa quer no Porto, da presença do corpo de intervenção, sobretudo nas zonas de maior implicação do ponto de vista dos fenómenos criminais e também do ponto de vista da concentração de pessoas».

Ainda no que diz respeito à segurança, o primeiro-ministro referiu «o aprofundamento e desenvolvimento de soluções tecnológicas que possam apetrechar os nossos agentes com maior apoio, com vista a terem maior eficiência no seu papel interventivo e no seu papel operacional».

Explicou Montenegro que este «reforço tecnológico passa por equipamentos, mas passa também pela capacidades de os agentes terem menos tempo dispendido em funções burocráticas e mais tempo disponível para funções operacionais».

Fonte: Diario de Notícias.

segunda-feira, maio 4

Projecto de lei para criminalizar todas as práticas racistas em consulta pública.


A proposta de alteração ao Código Penal para criminalizar todas as práticas discriminatórias motivadas por racismo e xenofobia está em consulta pública, com os promotores a defenderem que a actual lei deixa impunes a maioria dos actos discriminatórios.

A consulta pública começou no dia 18 de Março e recebeu entretanto oito contributos, estando disponível na página da internet da Assembleia da República e decorrendo esta parte do processo até ao início da votação na especialidade.

A Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC), apresentada pelo Grupo de Acção Conjunta contra o Racismo e a Xenofobia e subscrita por mais de 34.800 pessoas, pretende alterar o artigo 240.º do Código Penal, eliminando a exigência de que os actos discriminatórios sejam praticados «publicamente» ou através de «meios destinados à divulgação» para configurarem crime.

Segundo os promotores, essa exigência legal faz com que «a esmagadora maioria das situações de discriminação vividas pelas vítimas no dia-a-dia, olhos nos olhos» fique fora da tutela penal, escapando à responsabilização criminal por ocorrer fora das redes sociais, meios de comunicação ou outros espaços públicos.

O grupo, que reúne mais de 80 organizações, sustenta que o actual enquadramento jurídico português «não contempla instrumentos suficientes, eficazes e coerentes» para prevenir e punir práticas discriminatórias, considerando que o tratamento de muitos destes casos como simples contraordenações constitui «uma afronta aos valores fundamentais» do Estado de Direito democrático.

Em comunicado divulgado esta segunda-feira, os subscritores afirmam que os sucessivos arquivamentos de processos relacionados com discriminação racial e xenófoba demonstram «a ineficácia do sistema legal e judicial», deixando as vítimas desprotegidas e contribuindo para a normalização da discriminação.

A iniciativa pretende criminalizar práticas discriminatórias motivadas pela origem étnico-racial, nacionalidade, religião, cor da pele, ascendência, território de origem, língua, sexo, orientação sexual, identidade ou expressão de género, características sexuais ou deficiência física e psíquica.

A proposta prevê que o uso de «meios destinados à divulgação», actualmente exigido para o crime de discriminação e incitamento ao ódio, deixe de ser condição para a punição penal e passe antes a constituir uma circunstância agravante.

Os subscritores argumentam ainda que o actual modelo legal cria uma «hierarquização inaceitável» entre vítimas, ao atribuir maior gravidade a actos discriminatórios divulgados publicamente do que àqueles praticados presencialmente, no contacto directo entre agressor e vítima.

A consulta pública da iniciativa decorre no portal da Assembleia da República, depois de a comissão representativa dos cidadãos ter sido ouvida, em Abril, pela Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

O Grupo de Acção Conjunta apelou para a participação pública no processo, defendendo que o debate sobre a alteração legislativa deve mobilizar a sociedade portuguesa «na defesa do Estado de Direito» e no combate efectivo ao racismo e à discriminação.

Fonte: SIC Notícias/Lusa.

230 reclusos em protesto no Estabelecimento Prisional de Lisboa.


Reclusos permanecem sentados na ala em sinal de contestação às condições da prisão e à situação em que alegam estar detidos.

Cerca de 230 reclusos do Estabelecimento Prisional de Lisboa encontram-se, esta segunda-feira, em protesto pacífico na Ala B da cadeia, recusando regressar às celas.

Os reclusos não tomaram o pequeno-almoço nem a medicação habitual, permanecendo sentados na ala em sinal de contestação às condições da prisão e à situação em que alegam estar detidos.

Os reclusos exigem falar com o diretor do estabelecimento prisional, que até ao momento ainda não terá dado qualquer resposta ou reação às reivindicações apresentadas.

Os reclusos terão obrigatoriamente de regressar às celas, cenário que poderá levar à intervenção do Grupo de Intervenção e Segurança Prisional (GISP), caso a situação não seja resolvida de forma pacífica nas próximas horas.

As autoridades prisionais continuam a acompanhar o protesto dentro do estabelecimento, mantendo-se o ambiente tenso, mas sem registo de incidentes até ao momento.

Fonte: CNN Portugal.

Há que gerir percepções: Lisboa não tem mais crime do que teve no passado, garante Ministro da Administração Interna.


O Ministro da Administração Interna contrariou, nesta segunda-feira, «a questão das percepções» de insegurança na sociedade portuguesa, salientando que a capital tem hoje menos criminalidade que no passado.

«Há que gerir a questão das percepções, Lisboa não tem mais crime do que teve no passado», afirmou Luís Neves durante um encontro organizado pela Polícia Municipal da capital, recordando os anos 1980 e 1990 ou o final da década de 2000.

Em 2008 e 2009, «entre assaltos a bancos, a gasolineiras e postos dos CTT com mortos», houve «900 ataques por ano», com particular incidência em Lisboa, Setúbal e Porto.

«Hoje, porventura, não temos 10% desses crimes» que sucederam nesses «anos de chumbo de crime», em que «havia gasolineiros mortos em assaltos à mão armada», disse o governante no colóquio coesão social e os desafios da polarização urbana: uma estratégia local de segurança.

Luís Neves pediu que «ninguém utilize os números para, através da manipulação, massificação e deturpação, possa vir a criar uma teoria do caos em que o objetivo é combater o respeito por todas as formas de diversidade do ser humano».

«É isso que me move estar aqui», nas funções de ministro, disse, referindo que aceitou o cargo para contribuir para que «o respeito pela diversidade do ser humano possa ser uma realidade».

(...)

Fonte: SIC Notícias/Lusa.

segunda-feira, abril 20

Homem sobrevive a cinco tiros em discussão entre famílias à porta de hipermercado.


Uma discussão entre duas famílias desavindas, ocorrida no parque de estacionamento de um hipermercado de Portalegre, acabou, na tarde desta segunda-feira, com um homem atingido com cinco tiros. A vítima está no hospital para ser operada, enquanto o autor dos disparos continua a ser procurado pelas autoridades depois de ter fugido do local.

Segundo informações recolhidas pelo JN, os elementos das duas famílias residem em concelhos distintos, fora de Portalegre, mas, pelas 15.50 horas desta segunda-feira, encontraram-se, por casualidade, no parque de estacionamento do Continente, localizado neste município.

Seguiu-se uma discussão, durante a qual um dos homens pegou numa arma e dirigiu-se ao oponente, que estava ao volante da sua viatura. Ato contínuo, disparou cinco vezes em direção ao opositor, atingindo-o nos braços e pernas, e abandonou o local rapidamente.

Por esse motivo, quando a PSP chegou ao hipermercado, o suspeito já se encontrava em paradeiro desconhecido e, neste momento, continua a ser procurado pela PSP, mas também pela Polícia Judiciária que, por se tratar de um crime de tentativa de homicídio, foi igualmente acionada.

Já a vítima, de 32 anos, foi transportada para o Hospital Dr. José Maria Grande, em Portalegre. Tem um projétil alojado numa perna, está livre de perigo, mas, referiu o porta-voz do hospital, Ilídio Pinto Cardoso, pelas 17.25 horas, permanecia no bloco operatório, com ferimentos «em várias zonas do corpo».

Fonte: Jornal de Notícias.