sábado, junho 28
Portugal é o país da Europa com mais infiltrados do gangue brasileiro PCC
sexta-feira, junho 20
Reino Unido, com “sobre-representação” de suspeitos de abuso sexual de menores de origem paquistanesa, vai registar etnia e nacionalidade dos criminosos.
quarta-feira, outubro 30
Carris com desvios e supressões nas linhas noturnas. Condutores com receio de passarem em algumas zonas.
O recente clima de insegurança nas linhas noturnas da Carris
Metropolitana, que servem os arredores de Lisboa, tem levado a várias
alterações nos percursos e horários dos autocarros, com algumas linhas a serem
parcialmente suprimidas. A decisão surge após uma série de incidentes violentos
e apedrejamentos de viaturas, sobretudo após a morte de Odair Moniz, morador do
Bairro do Zambujal, na Amadora, vítima de disparos feitos pela polícia. Este
episódio intensificou as tensões nos bairros da Grande Lisboa, em particular na
Cova da Moura, onde motoristas têm manifestado receio em circular,
principalmente em horários noturnos.
Vários condutores recusam-se a entrar em determinadas áreas,
temendo pela sua segurança devido ao aumento de atos violentos, incluindo o
lançamento de cocktails-molotov em autocarros e o apedrejamento frequente de
viaturas. Num dos casos mais graves, em Santo António dos Cavaleiros, Loures,
um motorista ficou gravemente ferido, o que agravou a perceção de insegurança
entre os profissionais da Carris Metropolitana. “Os ataques a motoristas de
transportes públicos, especialmente em certas zonas da área metropolitana, não
são novidade”, apontam fontes do setor ao PÚBLICO, sublinhando que os recentes
incidentes vieram aumentar o receio.
A situação está a causar impacto na mobilidade de muitos
trabalhadores de serviços essenciais e estudantes que dependem destes percursos
noturnos para as suas deslocações. “Apesar de uma redução nos episódios de
vandalismo nos últimos dias, ainda se verificam apedrejamentos, como o de
segunda-feira à noite em Arrentela, Seixal”, relatam fontes da Carris
Metropolitana.
A cobertura mediática dos incidentes está também a ser
questionada pelo Sindicato Nacional de Motoristas e outros Trabalhadores (SNMOT).
“Esta exposição mediática, especialmente nas televisões, está a dar
visibilidade aos prevaricadores”, afirmou Manuel Oliveira, vice-presidente do
sindicato. Segundo Oliveira, “é precisamente esse efeito espetacular que os
grupos de vândalos procuram”, apelando a uma maior contenção por parte dos
meios de comunicação.
Devido à escalada de insegurança, a Transportes Metropolitanos
de Lisboa (TML), entidade que gere a frota de cerca de 1600 viaturas da Carris
Metropolitana, intensificou a monitorização em tempo real dos incidentes, em
colaboração com a Polícia de Segurança Pública (PSP). Foi criado um canal de
comunicação direto, através do WhatsApp, entre os profissionais de transportes
públicos da Área Metropolitana de Lisboa e o Comando Metropolitano de Lisboa da
PSP. Este canal envolve motoristas da Carris Metropolitana, da Carris (Lisboa),
da CP, do Metropolitano de Lisboa, da Fertagus, da Transtejo-Soflusa e dos
serviços de autocarros de Cascais e do Barreiro.
Este sistema permite uma partilha imediata de incidentes e
situações suspeitas para uma intervenção rápida das autoridades, garantindo uma
resposta coordenada e atempada, essencial face ao crescente número de ameaças à
segurança dos motoristas.
A Carris Metropolitana, optando por não comentar publicamente a
situação, tem adotado uma política de análise e gestão individualizada dos
percursos. De acordo com uma fonte da empresa, cada caso é avaliado “com malha
apertada”, considerando o receio expresso pelos motoristas. “Não forçamos
ninguém a trabalhar se houver um desconforto ou sentimento de insegurança”,
sublinhou a mesma fonte, esclarecendo que a gestão de cada situação é feita em
colaboração com as chefias diretas.
A intenção é, assim que possível, retomar a normalidade
operacional, equilibrando a necessidade de segurança dos motoristas com a
continuidade dos serviços para os utentes. A PSP também tem intervindo,
recomendando que certas áreas sejam evitadas nos primeiros dias após os
incidentes, incluindo a suspensão temporária da circulação em locais mais
críticos.
Na semana passada, a Carris, empresa controlada pela Câmara
Municipal de Lisboa, anunciou “desvios pontuais em alguns troços do trajeto”
nas carreiras 714 e 754, como resposta aos incidentes. A carreira 714 termina
no bairro da Outurela, em Oeiras, enquanto a 754 passa pelo bairro do Zambujal,
onde dois autocarros da Carris Metropolitana foram recentemente incendiados.
Segundo Manuel Oliveira, do SNMOT, estas alterações têm impactos severos para
os utentes. “Infelizmente, são as pessoas que dependem destes serviços que
acabam por ser prejudicadas com a suspensão das carreiras. Paga o justo pelo
pecador”, lamenta.
A situação de insegurança nas linhas noturnas da Carris
Metropolitana é, segundo os sindicatos, um problema recorrente que exige uma
resposta efetiva das autoridades. “A violência contra os motoristas, seja
verbal ou física, é algo que enfrentamos regularmente em certos bairros”,
explica Oliveira. Contudo, alerta que a recente destruição de autocarros
representa uma nova dimensão do problema, destacando a urgência de medidas mais
eficazes para proteger os profissionais e garantir a continuidade do serviço público
essencial que os motoristas prestam.
Fonte: Executive Digest – 30.10.2024
Um detido e cerca de 10 viaturas incendiadas em Benfica
Uma pessoa foi detida na madrugada de hoje em Benfica, Lisboa, depois de cerca de 10 viaturas terem sido incendiadas em três ruas da freguesia, disseram à Lusa fontes da PSP e dos Sapadores Bombeiros.
Segundo a PSP, a detenção ocorreu cerca das 02:00.
Fonte da Junta de Freguesia confirmou que três carros foram incendiados na Estrada de Benfica, dois na Rua Barroso Lopes e um na Rua Julião Quintinha, próximo do Centro Comercial Fonte Nova.
Estes atos de vandalismo em Benfica ocorreram depois de na noite de sábado para domingo terem igualmente sido incendiados na freguesia 11 veículos ligeiros e três motociclos, num caso que obrigou a um reforço do policiamento na zona.
No fim de semana, além dos veículos incendiados foram vandalizados em Benfica dois edifícios, uma loja, mobiliário urbano e caixotes do lixo.
Na semana passada foram registados vários incidentes e tumultos, especialmente durante a noite, na Área Metropolitana de Lisboa, na sequência da morte de Odair Moniz, baleado por um agente da PSP no bairro da Cova da Moura, na Amadora, na madrugada de dia 21 de outubro.
A Inspeção-Geral da Administração Interna e a PSP abriram inquéritos, e o agente que baleou o homem foi constituído arguido.
Fonte: LUSA - 30.10.2024
quinta-feira, outubro 24
PSP - Comunicado de imprensa - Ponto de Situação de Incidentes na Área Metropolitana de Lisboa - 24.10.2024
A Polícia de Segurança Pública (PSP), durante as últimas 24 horas, deteve
13 suspeitos da prática de crimes de roubo (4), ofensa à integridade física
qualificada (4), posse de engenhos explosivos e armas proibidas (3), tentativa
de fogo posto (1) e accionamento de extintor e dano contra viatura da PSP (1).
Foram registadas 45 ocorrências de incêndio em mobiliário urbano
(maioritariamente caixotes do lixo) na Área Metropolitana de Lisboa, nos
concelhos de Almada, Amadora, Barreiro, Lisboa, Loures, Oeiras, Seixal e
Sintra. Foram ainda identificados 18 suspeitos por motivos diversos.
De todas estas ocorrências, houve ainda a registar:
- 1
viatura policial danificada;
- 2
autocarros incendiados;
- 8
veículos ligeiros de passageiros incendiados;
- 1
motociclo incendiado;
- 3
cidadãos feridos, um deles com gravidade – motorista de um dos autocarros,
o qual sofreu queimaduras graves na face, tórax e membros superiores;
- Inúmeros
caixotes de lixo incendiados, assim como outro mobiliário urbano.
A Polícia de Segurança Pública reitera que tem por missão garantir a
segurança e ordem pública e o respeito pelos direitos, liberdades e garantias
dos cidadãos, e que está empenhada em manter a ordem, paz e tranquilidade
públicas, em todo o território nacional, designadamente na Área Metropolitana
de Lisboa onde foram registadas as ocorrências acima referidas.
A PSP repudia e não tolerará os atos de desordem e de destruição praticados
por grupos criminosos, apostados em afrontar a autoridade do Estado e em
perturbar a segurança da comunidade, grupos esses que integram uma minoria e
que não representam a restante população portuguesa que apenas deseja e quer
viver em paz e tranquilidade. Estes grupos criminosos têm revelado uma falta de
respeito pela vida humana, sendo, uma vez mais, evidente a prática de crimes
violentos contra a integridade física, como foi o caso lamentável desta noite,
em que um motorista de um autocarro de transportes públicos sofreu ferimentos
muito graves, sendo que a PSP tudo fará para, em coordenação com as outras
Forças e Serviços de Segurança, levar à justiça os suspeitos de todos os crimes
que têm sido praticados nos últimos dias.
A Polícia continuará dedicada à segurança dos portugueses e de todos os
cidadãos que escolhem o nosso País para viver e para o visitar, apelando a
todos que mantenham a calma, a tranquilidade e a confiança na PSP.
quarta-feira, outubro 23
Autocarros incendiados em seis concelhos: o mapa da violência na noite de Lisboa
Foi registado na noite desta terça-feira, um total de 60 ocorrências na Grande Lisboa, um dia depois de um homem ter sido morto a tiro pela PSP no bairro da Cova da Moura. Os actos de violência foram sentidos nos concelhos da Amadora, Oeiras, Loures e Sintra, mas também no centro de Lisboa - houve problemas em Campo de Ourique ou no Lumiar - e do outro lado do rio Tejo, no Seixal.
Das 60 ocorrências, Sintra foi o concelho que registou mais desacatos, tendo sido contabilizados 15, seguindo-se Loures com 10. O concelho da Amadora registou um total de 9 ocorrências, enquanto que Oeiras contabilizou 6 e Cascais um total de 5. Fora do distrito de Lisboa, Setúbal registou 1 ocorrência, no Seixal.
Entre estes episódios registados, está a destruição de um autocarro da Carris que foi incendiado no Bairro do Zambujal, depois de ter sido roubado por um grupo de jovens que exigiram a saída dos passageiros e do motorista do seu interior. Horas depois, e já noite dentro, um segundo autocarro foi incendiado, assim como vários caixotes do lixo e uma viatura ligeira.
Também na Portela, em Carnaxide, um autocarro da Carris foi roubado e incendiado por moradores do bairro. A CNN Portugal elaborou um mapa para melhor se perceber a localização da violência que se espalhou por quase todos os concelhos da Grande Lisboa.
Odair Moniz, de 43 anos, foi baleado por um agente da PSP na madrugada de segunda-feira, no Bairro da Cova da Moura, na Amadora, e morreu pouco depois, no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa.
Segundo a direção nacional da PSP, o homem pôs-se “em fuga” de carro depois de ver uma viatura policial na Avenida da República, na Amadora, e “entrou em despiste” na Cova da Moura, onde, ao ser abordado pelos agentes, “terá resistido à detenção e tentado agredi-los com recurso a arma branca”.
A associação SOS Racismo e o movimento Vida Justa contestaram a versão policial e exigem uma investigação “séria e isenta” para apurar “todas as responsabilidades”, considerando que está em causa “uma cultura de impunidade” nas polícias. De acordo com os relatos recolhidos no bairro pelo Vida Justa, o que houve foram “dois tiros num trabalhador desarmado”.
Na segunda-feira, o Ministério da Administração Interna determinou à Inspeção-Geral da Administração Interna a abertura de um inquérito urgente e também a PSP anunciou a abertura de um inquérito interno para apurar as circunstâncias da ocorrência. O agente que baleou o homem foi entretanto constituído arguido, indicou fonte da Polícia Judiciária. A CNN Portugal apurou, também, que a investigação da PJ aponta para excesso de legítima defesa da PSP.
Fonte: CNN Portugal - 23.10.2024
quinta-feira, outubro 3
Tiros à queima roupa, um suspeito em fuga e duas famílias destruídas: o que se sabe sobre o triplo homicídio em Lisboa.
Grávida e marido tentaram escapar do local. Homicida atirou à cabeça para travar fuga. Barbeiro foi o primeiro a ser atingido a tiro.
Dois homens, um barbeiro e um taxista, e a mulher deste, que estava grávida, foram mortos a tiro, pelas 13h25 de quarta-feira, no Bairro do Vale, entre a zona de Santa Apolónia e a Penha de França, em Lisboa. Fernando, que quereria ser atendido na barbearia, é o principal suspeito do crime.
Ao que o CM apurou, uma discussão fútil relacionada com o atendimento do barbeiro, Carlos Pina, terá estado na origem do triplo homicídio. Carlos foi assassinado com um tiro na cabeça, dentro do seu estabelecimento, porque Fernando quereria passar à frente de outros clientes e não aceitou um não como resposta.
Já na rua, quando se preparava para colocar-se em fuga, o homem também atingiu mortalmente o taxista Bruno Neto e Fernanda Júlia com tiros na cabeça, eventualmente para que estes não viessem a identificá-lo. Testemunhas dizem que o casal ainda tentou fugir, mas sem sucesso.
Apesar de ainda respirarem quando os primeiros moradores chegaram ao local, os ferimentos foram fatais e os bombeiros não os conseguiram salvar. O casal deixa órfã uma menina.
O crime terá sido presenciado por outro barbeiro que conseguiu fugir do local.
Ninguém travou Fernando, de 33 anos e com cadastro, que conseguiu fugir a pé do local, tendo sido auxiliado por dois homem que o levaram de carro e o ajudaram a desaparecer sem deixar rasto. Tudo indica que se trate do pai e do meio-irmão do suspeito.
Barbeiro acarinhado por todos.
Carlos Pina era divorciado e pai de cinco filhos. Muito acarinhado no bairro, não era conhecido por estar envolvido em situações violentas. O barbeiro costumava participar em jogos de futebol com elementos da PSP. Era também conhecido por não negar o serviço, mesmo a quem não o podia pagar.
Já Bruno e a mulher não moravam naquele bairro. Há quem garantisse que tinham ido ao barbeiro, já que vivem nas proximidades, outros asseguram que iam ao bairro lavar o táxi.
Comunidade em choque.
Todos ficaram em choque com a morte de Carlos Pina, por quem tinham muita estima. Várias pessoas receberam apoio psicológico devido à violência do crime e ninguém ficou indiferente ao cenário dos corpos no chão.
Fernando também é conhecido de todos. Mora na rua onde o crime ocorreu e é tido como violento.
Passado marcado por violência.
Fernando tem um passado marcado pela violência. O principal suspeito do triplo homicídio vivia com o pai num terceiro andar e, após uma discussão, foi expulso de casa.
O suspeito terá ocupado o primeiro andar do mesmo prédio e terá mudado as fechaduras. Depois de se mudar para este apartamento com a mulher e cinco filhos, Fernando terá estado envolvido num tiroteio cujas marcas ainda são visíveis numa janela.
Uma vizinha foi baleada nesta troca de tiros.
Vítimas expostas e juras de vingança.
Fotografias e vídeos dos cadáveres começaram a circular nas redes sociais e em aplicações como o WhatsApp. Num dos vídeos é possível ver um dos corpos ainda a mexer-se. A violência das imagens chegou a amigos e familiares das vítimas.
As promessas de vingança e mensagens de ódio não demoraram a chegar.
Vingança no local do crime.
Durante a noite, duas viaturas que pertencem à família do suspeito foram incendiadas, ao que tudo indica num ato de retaliação pelo triplo homicídio. Os moradores dizem ter sido ouvidos disparos, mas a PSP não confirma.
Correio da Manhã – 03.10.2024
domingo, setembro 29
Três feridos em tiroteio na Régua
Uma «desavença» entre um
«grupo de pessoas» fez, ao final da tarde deste domingo, três feridos no Bairro
das Alagoas (conhecido como Bairro Verde), no Peso da Régua, distrito de Vila
Real, disse ao JN fonte da GNR.
«À
partida, haverá disparos de arma de fogo, porque são consistentes com os
ferimentos leves que as vítimas apresentam», disse a mesma fonte, que não
soube, no entanto, precisar se alguém foi detido ou identificado ou se foi
apreendida qualquer arma de fogo.
A
Agência Lusa dá conta que entre as três pessoas com ferimentos ligeiros está um
homem de 82 anos e uma mulher de 60 anos, que foram transportados para o
Hospital de Vila Real. Uma terceira vítima, um homem de 58 anos, não quis
ser transportada à unidade hospitalar.
O caso
ocorreu pelas 18 horas, tendo a prioridade das patrulhas, à chegada ao bairro,
sido repor a ordem pública, isolar o local e apoiar os bombeiros no socorro às
vítimas.
A
mesma fonte informou ainda que a GNR avançou para o local com reforços dos
postos de Mesão Frio e de Santa Marta de Penaguião bem como elementos do
Destacamento de Intervenção.
O caso passou, entretanto, para a alçada da Polícia Judiciária, que investiga.
Jornal de Notícias – 29.09.2024
quinta-feira, agosto 29
Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna assaltada hoje de madrugada
quinta-feira, maio 30
Relatório Anual de Segurança Interna
O Relatório Anual de Segurança Interna revela números
alarmantes: crimes de extorsão aumentaram mais de 25%, e o rapto, sequestro e
tomada de reféns mais de 22%. Mas o documento não diz tudo: ‘É um queijo suíço
que está cheio de não informação’, queixa-se um oficial da Polícia.
Os números não mentem, mas não dizem toda a verdade, pois há
muita informação que é omissa, dando azo a todo o tipo de especulações. Por
exemplo, a criminalidade grave, violenta, altamente organizada e complexa subiu
5,6%, tendo sido registadas mais de 14 mil participações. As causas e os
autores é que não aparecem no famoso Relatório Anual de Segurança Interna
(RASI), tornado público esta semana. Os crimes de extorsão registam uma subida
superior a 25%, e o rapto sequestro e tomada de reféns de 22%.
Mas nem tudo são notícias negativas, pois os crimes de homicídio
voluntário consumado, as violações e outros roubos, desceram, 7,2%, 4,8% e 4%,
respetivamente.
«O RASI é um documento mais político e ideológico do que
outra coisa qualquer. É um queijo suíço que está cheio de não informação. Diz
umas coisas, mas não diz outras, não diz tudo… O que seria importante era que o
RASI desse pistas, mas não dá. Ao não apontar nacionalidades, etnias, origens e
proveniências está a dificultar o trabalho dos polícias. É um relatório muito
omisso em muitos aspetos que podem ser essenciais para combater o crime e,
sobretudo, essa omissão pode conduzir a especulações que alimentam teorias de
conspiração e outras coisas do género, mas sobretudo dá azo a extremismos»,
explica ao Nascer do SOL um oficial da Polícia.
Outro dado curioso, para muitos dos polícias ouvidos, é que se
esconde a nacionalidade de quem comete crimes, mas o mesmo já não acontece com
a comunidade prisional. Em dezembro de 2023, 20% da população prisional era
estrangeira.
Não estigmatizar ninguém
Outro oficial vai ainda mais longe, tendo dito ao nosso jornal
há duas semanas: «Houve uma orientação no sentido de não se estigmatizar as
etnias e as nacionalidades, o que todos concordamos. Tentou-se criar uma
sintonia com a comunicação social para que não usasse a questão do cigano, do
turco, e por aí fora. Nessa altura, nós próprios, na Polícia, recebemos uma
orientação também no sentido de que quando se fizesse uma participação se devia
omitir determinados dados. Antigamente, o que nós púnhamos, por exemplo, se
fosse uma pessoa de etnia cigana, romena, russa, sul-africana, angolana,
indiana, ou o que fosse, dizíamo-lo. Agora a Polícia já não coloca as
características da pessoa, e tenta-se não se pôr a nacionalidade para não
chocar. Dessa forma como é que sabemos como prevenir? E como podemos contribuir
para a reinserção social se não sabemos quem são? Seria normal que o atual RASI
não desse pistas quanto à nacionalidade daqueles que cometem os crimes, mas
essa informação devia ser interna e colocada noutro relatório que serviria de
base para as diferentes forças policiais».
Os atores políticos vão fazer a leitura do RASI de acordo com a
sua ideologia, o que pode acicatar ainda mais os ânimos. «Dificilmente se pode
dizer se há um aumento de criminalidade ligado à imigração, mas isso vai ser
usado como arma de arremesso. Se a criminalidade violenta e os crimes de rapto
e sequestro aumentaram tanto, claro que a extrema-direita vai acusar a
imigração. Por isso, devia-se dar alguma explicação para não se fazerem
julgamentos sumários».
Uma enorme estupidez
«O crescimento da criminalidade devia obrigar os responsáveis
governamentais a alterar o funcionamento das forças policiais. Nós temos um
Relatório de Segurança Interna, mas não temos um Plano de Segurança Interna.
Isso é inconcebível. É uma estupidez. O que é ainda mais grave é o sentimento
de insegurança que isso pode criar, que é um fator psicológico, e que pode
prejudicar muito o turismo, tão importante para a nossa economia», explica
outra fonte policial, que defende mesmo uma mudança de paradigma. «É tempo de
avançar para uma Autoridade Nacional de Polícia que permita conjugar esforços
no terreno para combater o aumento da criminalidade. Agora que vai haver uma
mudança do secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, seria uma boa
oportunidade para se fazerem as mudanças. Diz-se que será o atual diretor da
Polícia Judiciária que irá ocupar o cargo. Com a experiência que tem, seria bom
que se fizessem essas mudanças», acrescenta.
O famoso relatório merece mesmo muitas críticas das forças
policiais: «O RASI tem um problema complicado. Faz o traçado nacional, mas a
criminalidade em Portugal, às vezes, tem um rosto mais literal, o relatório
devia ter uma desmultiplicação que permitisse definir políticas públicas mais
locais, que houvesse RASI’s por grandes áreas, como por exemplo as áreas
metropolitanas de Lisboa e do Porto. É preciso começar a inovar».
Mas voltemos aos números. No que diz respeito à criminalidade
geral, diz o relatório que «o número total de participações registadas em 2023
pelos oito OPC (GNR, PSP, PJ, SEF, PM, ASAE, AT e PJM), foi de 371.995, mais
28.150 participações que no período homólogo de 2022 (+8,2%)».
Apesar das críticas, há quem aponte alguns méritos ao documento.
«Este relatório, apesar de tudo, tem mais informação do que os anteriores, mas
também põe a nu como é que um país tão pequenino tem tantas polícias, tanta
gente a trabalhar. Já que somos tantos, alguém tem que tentar conjugar todos
estes meios, juntamente com o Ministério Público».
Os extremismos realçados
«No âmbito do combate ao terrorismo, mantém-se o processo de
deteção, prevenção e investigação sobre os extremismos, ideológico violento de
esquerda e de direita, assim como de matriz islamista. Para além destes vetores,
têm surgido movimentos negacionistas antissistema, os quais poderão configurar
um potencial de violência. Estes movimentos, inspirados por teorias da
conspiração, desafiam as autoridades democraticamente eleitas, incitando à
desobediência civil e à agitação social», lê-se no relatório.
Mas há quem faça observações ao caráter ideológico do relatório.
«Fala da extrema-direita como se fosse crime, o que me parece um disparate. Não
é da competência deste trabalho fazer esse tipo de considerações», defende
outra fonte policial.
«No campo dos extremismos políticos, assistiu-se a um
agravamento da ameaça representada por esses setores, sobretudo no âmbito da
extrema-direita. Com efeito, após um período de estagnação, as organizações
tradicionais e os militantes dos setores neonazis e identitário retomaram a sua
atividade, promovendo ações de rua e outras iniciativas com propósitos
propagandísticos», lê-se.
Quanto à extrema-esquerda, o relatório diz: «Também o movimento
anarquista e autónomo retomou a atividade de rua após um período de estagnação,
associando-se a manifestações de massa em torno de causas transversais à
sociedade portuguesa, como o direito à habitação ou a melhoria das condições de
vida, imprimindo-lhes um cunho ideológico anticapitalista e recorrendo a um
modus operandi (realização de atos de vandalismo, provocações às Forças de
segurança) que visa, em última análise, mobilizar os demais participantes para
uma luta contra o sistema. No último trimestre de 2023, a causa palestiniana
também foi apoiada por estes setores, através da participação em manifestações,
mas sem registo de incidentes relevantes».
Os ambientalistas climáticos também merecem atenção. «No
extremismo de esquerda português, à semelhança de 2022, continua-se a assistir a
diversos apontamentos de expressão meramente anticapitalista, nomeadamente no
contexto da Plataforma Europeia Anticapitalista. O ativismo ambientalista de
natureza anticapitalista ocupou um espaço mediático exponencial a ser liderado
pelos dois principais movimentos ativistas de defesa do ambiente português,
CLIMÁXIMO e GREVECLIMÁtica ESTUDANTIL. Para além da anunciada mudança de
paradigma na ação direta e da assunção dos riscos inerentes à mesma, os
ativistas (proeminentemente na faixa etária entre os 19 e os 35? demonstraram
um planeamento e concertação no agendamento dos eventos que foram tendo lugar
no decurso de 2023».
Por fim, diga-se que o relatório faz um grande elogio à
segurança da Jornada Mundial da Juventude e que o outro grande desafio que as
Forças de Segurança enfrentaram seguiu-se ao ataque do Hamas a Israel.
Ah! O relatório diz que «em Portugal não existe nenhuma
organização ou grupo classificado como organização terrorista».
Jornal
I – 30.05.2024
quarta-feira, junho 20
Estado desconhece número de criminosos reincidentes
Peritos alertam para reformas penais feitas às cegas, sem estudos sobre reincidência
TRANSPARÊNCIA.
O acompanhamento das reincidências, cuja taxa se situa nos 26%, e o estudo dos seus motivos permitem, por exemplo, saber que reincidem mais os criminosos com penas até um ano do que os que foram obrigados a cumprir trabalhos «forçados» nas comunidades. «Prender só não chega; é preciso que não reincidam. Senão é desbaratar dinheiro e a sociedade mantém-se insegura», diz Marian Fitzgerald, criminologista da Universidade de Kent.
Laborinho Lúcio, ex-ministro da Justiça
«Só se combate eficazmente o que se conhece»
É indispensável em dois planos. O primeiro, no que toca à definição das políticas criminais. Por um lado, é o conhecimento daquela taxa que permite avaliar o resultado das medidas de política entretanto adotadas para combater o crime e a sua repetição pelo mesmo agente; por outro lado, é a partir desse conhecimento que é possível definir estratégias e objetivos concretos em sede de intervenção, seja no plano legislativo seja no das práticas ligadas à execução das penas. O segundo plano é aquele que toca já a intervenção judicial, nomeadamente em matéria de condenação criminal.
Sem uma noção tão rigorosa quanto possível da taxa de reincidência, dificilmente será possível programar e definir políticas que, relacionadas com a matéria dos fins das penas, permitam intervir de modo a que a escolha destas e a sua respetiva medida se voltem para a redução da própria reincidência. Afinal, só pode combater-se eficazmente aquilo que se conhece bem.
Antes de mais, seria importante a elaboração e a disponibilização de estudos, quer quantitativos quer de investigação empírica, tendo como objeto a reincidência. Por outro lado, a disponibilização aos tribunais da informação sobre reincidência terá de ser necessariamente mais célere do que é sempre que se trata de registo criminal positivo. Finalmente, a vingar a proposta de alargamento do julgamento sumário a todos os crimes, desde que praticados em flagrante delito, a informação sobre a existência de reincidência é fundamental para que se decida sobre a continuação do julgamento, da sua suspensão, ou da remessa do processo para os meios comuns.
quinta-feira, dezembro 30
Número de reclusos aumentou quase 10% num ano
Mais 800 presos só este ano. Cadeias estão sobrelotadas.
Número de presos subiu e segurança será reforçada
Ministro da Justiça admite "problemas nas prisões do Linhó, Alcoentre e Castelo Branco" e vai colocar mais guardas.
sábado, dezembro 18
Marinho Pinto: “As cadeias estão cheias de pobres”
quinta-feira, dezembro 9
Polícia do Rio quer entrar na Rocinha após Carnaval
domingo, agosto 29
Desacatos na Quinta da Fonte ferem três
"Um grupo de indivíduos de etnia cigana (desconhece-se o seu número) dispararam cinco tiros, a partir de uma viatura em andamento com uma pistola que se presume ser de calibre 6.35 mm, contra um grupo de indivíduos negros, tendo atingido três deles, causando ferimentos ligeiros", adiantou a PSP.
"Dois dos indivíduos feridos, com idades entre os 15 e 18 anos, foram socorridos no local pelos bombeiros de Sacavém e um foi transportado para o hospital de Santa Maria, em Lisboa", acrescentou a mesma fonte.
De acordo com a PSP, foi também incendiada no local uma viatura, que "pertence a um indivíduo de etnia cigana, desconhecendo-se, para já, o autor do incêndio".
O bairro da Quinta da Fonte, na freguesia da Apelação, alberga cerca de 2500 pessoas de várias etnias, tendo sido construído para acolher os desalojados pela construção dos acessos rodoviários à Expo 98.