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domingo, agosto 29

Desacatos na Quinta da Fonte ferem três








Três indivíduos foram atingidos a tiro na noite de sábado por um grupo de etnia cigana, que disparou a partir de uma viatura em andamento na Quinta da Fonte, Sacavém, onde uma viatura também foi incendiada.


Fonte do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa explicou à agência Lusa  que o alerta foi dado às 23h35 de sábado para uma ocorrência na zona da Apelação, na Quinta da Fonte (Sacavém).  
"Um grupo de indivíduos de etnia cigana (desconhece-se o seu número) dispararam cinco tiros, a partir de uma viatura em andamento com uma pistola que se presume ser de calibre 6.35 mm, contra um grupo de indivíduos negros, tendo atingido três deles, causando ferimentos ligeiros", adiantou a PSP.
"Dois dos indivíduos feridos, com idades entre os 15 e 18 anos, foram  socorridos no local pelos bombeiros de Sacavém e um foi transportado para  o hospital de Santa Maria, em Lisboa", acrescentou a mesma fonte.
De acordo com a PSP, foi também incendiada no local uma viatura, que "pertence a um indivíduo de etnia cigana, desconhecendo-se, para já, o autor do incêndio".
O bairro da Quinta da Fonte, na freguesia da Apelação, alberga cerca de 2500 pessoas de várias etnias, tendo sido construído para acolher os  desalojados pela construção dos acessos rodoviários à Expo 98.  

Situação acalma:

A PSP mantém uma equipa de vigilância e prevenção na Quinta da Fonte, Sacavém, onde esta noite três pessoas foram baleadas, mas a situação está calma, disse este domingo à agência Lusa fonte do Comando Metropolitano. 
"Temos lá pessoal de piquete para acautelar qualquer situação, mas para já não há nada, está muito calmo", afirmou a mesma fonte.

Fonte: Correio da Manhã de 29.08.2010


terça-feira, agosto 24

União Romani de Espanha ameaça processar Nicolas Sarkozy


A União Romani de Espanha, apoiada pela União Romani Internacional, prepara-se para processar o Presidente francês junto do Tribunal de Justiça da União Europeia, acusando-o de violar os direitos humanos e das minorias.

Esta intenção foi declarada por Juan de Dios Ramírez, antigo deputado europeu e presidente da União Romani de Espanha, citado pelo jornal espanhol “El Pais” na sua edição online.
"Pela primeira vez na história do povo cigano, vamos deixar de nos lamentar e atuar com as mesmas armas que usa a sociedade dos ´gadjès´ (nome pelo qual os ciganos identificam os não-ciganos) e vamos a levar o Presidente francês perante o Tribunal de Justiça da União Europeia, no Luxemburgo", disse Ramírez.
A decisão da associação espanhola que representa os ciganos surge em resposta à decisão do Governo de Nicolas Sarkozy de repatriar centenas de ciganos da Europa de Leste sem documentos para os seus países de origem. 
Juan de Dios Ramírez está a preparar a documentação para apresentar ao Tribunal, alegando que “o Governo francês está a violar um dos pilares da nova Constituição Europeia, aprovada em Lisboa em 2009, na qual a defesa dos direitos humanos e o respeito pelas minorias é uma questão fundamental”.
"A nova Constituição Europeia tem pouco poder nos aspetos económicos mas manda no que respeita aos direitos humanos, exatamente aqueles que a França está a violar”, afirmou.
Ramírez nasceu em Puerto Real (Cádiz) em 1942 e é uma das figuras chave do mundo Rom (cigano no idioma deste povo).
Foi o primeiro cigano a entrar como deputado no Parlamento Europeu, em 1986, e em Espanha representou o povo cigano no primeiro Parlamento depois do franquismo.
A União Romani de Espanha convocou também uma manifestação, em Paris, a realizar dia 04 de setembro, na Praça da República, para protestar contra as medidas anunciadas pelo presidente francês. 

Diário Digital / Lusa, 23.08.2010.

Sampaio preocupado com repatriação de ciganos em França




«Devemos ter o espírito aberto», alerta o Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações 


O Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações, Jorge Sampaio, manifestou-se, esta sexta-feira, preocupado com o repatriamento pelo Governo francês de pessoas de etnia cigana em situação irregular. «É evidente que me preocupa», declarou Jorge Sampaio aos jornalistas, na Universidade de Aveiro, frisando que «o tempo é de exigências em relação às minorias».
A França começou na quinta-feira as primeiras acções de repatriamento para a Bulgária e a Roménia de cidadãos europeus daquela etnia, um processo que está a gerar polémica e acusações sobre uma alegada atitude xenófoba do governo de Nicolas Sarkozy.
Evitando comentar directamente a decisão do Estado francês, o Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações disse que, «por mais difícil que sejam os desafios», os «países democráticos também se sujeitam à crítica». «A verdade é que nós devemos ter o espírito aberto e trabalhar com as pessoas que, ainda por cima, muitas vezes são da nossa nacionalidade», disse.
Jorge Sampaio falava aos jornalistas à margem da sessão de encerramento da 1ª Escola de Verão da Aliança, uma parceria entre a Aliança das Civilizações das Nações Unidas e a Universidade de Aveiro.

Fonte: Portugal Diario, 20.08.2010.




França: Ciganos expulsos já somam 635


A França expulsou 635 ciganos desde o dia 28 e o número deve subir para «cerca de 950» até ao final do mês, afirmou hoje o ministro da Imigração francês, Eric Besson, em declarações à estação de rádio Europe 1.

Trata-se de um balanço mais elevado do que aquele que havia sido anunciado pelo governo francês quando começou a desmantelar os acampamentos ilegais de ciganos e a providenciar a sua repatriação, que tem sido vivamente criticada tanto dentro como fora de França.
Reagindo às críticas, Eric Besson voltou a dizer que nenhum país pode «dar lições» à França nesta matéria e que apenas está a aplicar legislação interna e europeia.



Fonte: Diário Digital / Lusa, 24.08.2010 


sábado, julho 26

Limpeza étnica

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O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. "Perdi tudo!" "O que é que perdeu?" perguntou-lhe um repórter.
"Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem..."
Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos autodesalojados da Quinta da Fonte.
A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga "quatro ou cinco euros de renda mensal" pelas habitações camarárias.
Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que "até a TV e a playstation das crianças" lhe tinham roubado.
Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência.
A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul.
É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam "quatro ou cinco Euros de renda" à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a "quatro ou cinco euros mensais" lhes sejam dados em zonas "onde não haja pretos".
Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade.
O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis. Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso - "ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos."
A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e autodenominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil.
Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala.
Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor.
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Mário Crespo, no Jornal de Notícias de 21 de Julho de 2008
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A verdadeira questão cigana

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Os ciganos são a derradeira cultura intrinsecamente nómada do mundo ocidental. Esse nomadismo, mais do que outras expressões sociais e culturais, define o essencial do antagonismo com a nossa sociedade sedentária, regulada e democrática. A generalidade dos ciganos recusa o nosso modelo de sociedade vivendo nas suas margens.
Os ciganos são a derradeira cultura intrinsecamente nómada do mundo ocidental. Esse nomadismo, mais do que outras expressões sociais e culturais, define o essencial do antagonismo com a nossa sociedade sedentária, regulada e democrática. A generalidade dos ciganos recusa o nosso modelo de sociedade vivendo nas suas margens. Os conflitos são por isso evidentes e constantes. Desde logo nos aspectos sociais. Ao contrário do que tantos proclamam e ainda mais gostariam de ver realizado a maioria dos ciganos não se quer de todo integrar. Pontualmente aproveitam os benefícios dos esforços por parte dos agentes da nossa sociedade, casas dos autarcas, apoios do Estado e outras benesses em nome da civilização, mas fazem-no de forma claramente oportunista e sempre temporária.
Nesse domínio basta citar três exemplos. A recusa em enviar as crianças para a escola; a rejeição da plena cidadania; o tratamento discriminatório das mulheres. Depois de muito programa e tanta boa vontade, nenhum destes objectivos integradores, ensino, participação social e igualdade sexual, resultou. A cultura cigana continua a ser anti-conhecimento; socialmente marginal e radicalmente patriarcal e machista.
Outro ponto de forte conflito diz respeito a um modo de vida e uma economia que assentam sobretudo na marginalidade e na ilegalidade face às leis vigentes. Os ciganos não se integram no nosso modelo económico, raramente legalizam empresas e actividades, praticamente não pagam impostos, negoceiam de preferência em dinheiro vivo e acima de tudo procuram os nichos da chamada economia paralela, contrafacção, recepção e comércio de produtos roubados, e, claro está, drogas, contrabandos e tudo o que circula à margem dos circuitos legais.
Tudo isto não seria possível sem um forte sentido comunitário e uma prática de segregação de perfil étnico e cultural. Nós, os "gadjos", ou seja os não ciganos, somos objectivamente os outros, o outro mundo com quem se trafica mas não se mistura. O casamento de ciganas com outras etnias, e desde logo com o homem branco, é frontalmente combatido e por vezes de forma violenta. Mantendo-se aliás ainda dominante o casamento negociado e sem opção da mulher.
É claro que uma tal recusa do nosso modo de vida, que consideramos ser o mais avançado e civilizado, não deixa de despertar alguma admiração. Não existe na nossa sociedade nenhum movimento social mais adverso às ideias dominantes, nem nenhuma forma de resistência colectiva mais resiliente.
É por exemplo absolutamente surpreendente, para nós, que face a um conflito local algumas dezenas de famílias ciganas tenham abandonado as suas casas e optado por ir literalmente dormir para a rua. Trata-se de um acto impensável no nosso contexto social. Nenhuma comunidade não-cigana, mesmo de pobres, o faria alguma vez.
A questão que se põe é portanto saber o que, do ponto de vista da nossa sociedade, se deve fazer. Aceita-se a diferença cultural e comportamentos contrários a importantes conquistas civilizacionais ou pelo contrário tudo se deve fazer para integrar, o que significa na prática desmantelar essa cultura autónoma e distinta?
Ou seja, e recorrendo à terminologia em voga, integração ou multiculturalismo?
A sociedade liberal e aberta tende a preferir esta última opção. Mas frequentemente confunde-se o direito à diferença com a expressão de actos retrógrados inaceitáveis para a nossa civilização. Pode aceitar-se condenar uma criança à ignorância? Pode aceitar-se um tratamento sub-humano das mulheres? Pode permitir-se a uns a prática de crimes que a outros se condena?
Para mim a resposta é simples. Todos nos devemos bater pela diversidade cultural porque ela é produtiva e socialmente benéfica, mas não podemos, em momento algum, abdicar de importantes conquistas nem permitir retrocessos civilizacionais. E claramente a cultura cigana representa um retrocesso de perfil medieval que deve ser combatido, tal como o são por exemplo a expressão de ideologias fascistas, opressivas e humanamente degradantes. Não há pois volta a dar, nem romantismo que resista a uma tal evidência.
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Leonel Moura, no Jornal de Negócios de 25 de Julho de 2008
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