segunda-feira, maio 4

Projecto de lei para criminalizar todas as práticas racistas em consulta pública.


A proposta de alteração ao Código Penal para criminalizar todas as práticas discriminatórias motivadas por racismo e xenofobia está em consulta pública, com os promotores a defenderem que a actual lei deixa impunes a maioria dos actos discriminatórios.

A consulta pública começou no dia 18 de Março e recebeu entretanto oito contributos, estando disponível na página da internet da Assembleia da República e decorrendo esta parte do processo até ao início da votação na especialidade.

A Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC), apresentada pelo Grupo de Acção Conjunta contra o Racismo e a Xenofobia e subscrita por mais de 34.800 pessoas, pretende alterar o artigo 240.º do Código Penal, eliminando a exigência de que os actos discriminatórios sejam praticados «publicamente» ou através de «meios destinados à divulgação» para configurarem crime.

Segundo os promotores, essa exigência legal faz com que «a esmagadora maioria das situações de discriminação vividas pelas vítimas no dia-a-dia, olhos nos olhos» fique fora da tutela penal, escapando à responsabilização criminal por ocorrer fora das redes sociais, meios de comunicação ou outros espaços públicos.

O grupo, que reúne mais de 80 organizações, sustenta que o actual enquadramento jurídico português «não contempla instrumentos suficientes, eficazes e coerentes» para prevenir e punir práticas discriminatórias, considerando que o tratamento de muitos destes casos como simples contraordenações constitui «uma afronta aos valores fundamentais» do Estado de Direito democrático.

Em comunicado divulgado esta segunda-feira, os subscritores afirmam que os sucessivos arquivamentos de processos relacionados com discriminação racial e xenófoba demonstram «a ineficácia do sistema legal e judicial», deixando as vítimas desprotegidas e contribuindo para a normalização da discriminação.

A iniciativa pretende criminalizar práticas discriminatórias motivadas pela origem étnico-racial, nacionalidade, religião, cor da pele, ascendência, território de origem, língua, sexo, orientação sexual, identidade ou expressão de género, características sexuais ou deficiência física e psíquica.

A proposta prevê que o uso de «meios destinados à divulgação», actualmente exigido para o crime de discriminação e incitamento ao ódio, deixe de ser condição para a punição penal e passe antes a constituir uma circunstância agravante.

Os subscritores argumentam ainda que o actual modelo legal cria uma «hierarquização inaceitável» entre vítimas, ao atribuir maior gravidade a actos discriminatórios divulgados publicamente do que àqueles praticados presencialmente, no contacto directo entre agressor e vítima.

A consulta pública da iniciativa decorre no portal da Assembleia da República, depois de a comissão representativa dos cidadãos ter sido ouvida, em Abril, pela Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

O Grupo de Acção Conjunta apelou para a participação pública no processo, defendendo que o debate sobre a alteração legislativa deve mobilizar a sociedade portuguesa «na defesa do Estado de Direito» e no combate efectivo ao racismo e à discriminação.

Fonte: SIC Notícias/Lusa.

230 reclusos em protesto no Estabelecimento Prisional de Lisboa.


Reclusos permanecem sentados na ala em sinal de contestação às condições da prisão e à situação em que alegam estar detidos.

Cerca de 230 reclusos do Estabelecimento Prisional de Lisboa encontram-se, esta segunda-feira, em protesto pacífico na Ala B da cadeia, recusando regressar às celas.

Os reclusos não tomaram o pequeno-almoço nem a medicação habitual, permanecendo sentados na ala em sinal de contestação às condições da prisão e à situação em que alegam estar detidos.

Os reclusos exigem falar com o diretor do estabelecimento prisional, que até ao momento ainda não terá dado qualquer resposta ou reação às reivindicações apresentadas.

Os reclusos terão obrigatoriamente de regressar às celas, cenário que poderá levar à intervenção do Grupo de Intervenção e Segurança Prisional (GISP), caso a situação não seja resolvida de forma pacífica nas próximas horas.

As autoridades prisionais continuam a acompanhar o protesto dentro do estabelecimento, mantendo-se o ambiente tenso, mas sem registo de incidentes até ao momento.

Fonte: CNN Portugal.

Há que gerir percepções: Lisboa não tem mais crime do que teve no passado, garante Ministro da Administração Interna.


O Ministro da Administração Interna contrariou, nesta segunda-feira, «a questão das percepções» de insegurança na sociedade portuguesa, salientando que a capital tem hoje menos criminalidade que no passado.

«Há que gerir a questão das percepções, Lisboa não tem mais crime do que teve no passado», afirmou Luís Neves durante um encontro organizado pela Polícia Municipal da capital, recordando os anos 1980 e 1990 ou o final da década de 2000.

Em 2008 e 2009, «entre assaltos a bancos, a gasolineiras e postos dos CTT com mortos», houve «900 ataques por ano», com particular incidência em Lisboa, Setúbal e Porto.

«Hoje, porventura, não temos 10% desses crimes» que sucederam nesses «anos de chumbo de crime», em que «havia gasolineiros mortos em assaltos à mão armada», disse o governante no colóquio coesão social e os desafios da polarização urbana: uma estratégia local de segurança.

Luís Neves pediu que «ninguém utilize os números para, através da manipulação, massificação e deturpação, possa vir a criar uma teoria do caos em que o objetivo é combater o respeito por todas as formas de diversidade do ser humano».

«É isso que me move estar aqui», nas funções de ministro, disse, referindo que aceitou o cargo para contribuir para que «o respeito pela diversidade do ser humano possa ser uma realidade».

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Fonte: SIC Notícias/Lusa.